Um mundo melhor para todos, a pão e água
Os sentimentos de desalento e desconfiança que atravessa a política e a economia mundiais não serão só resultado da acumulação de decisões e políticas erradas.
Quem pensava há pouco tempo, que os bancos fossem submetidos a testes de stress, quem pensava que ainda hoje, estamos a pagar as facturas dos novos estádios construídos em Portugal.
As cidades que acolheram estádios sem terem suficiente população e sem clubes organizados e representativos têm hoje problemas financeiros enormes”. Deste modo, encara a demolição destes estádios como uma possível forma de desinvestimento.
Estes são dois problemas dos muitos que podiam ser elencados.
O mundo vive neste século uma enorme escassez de grandes figuras de respeito e admiração.
Não existe quem nos possa servir de exemplo e referência nestes períodos tão conturbados.
Alguém que nos tranquilize, que nos reduza à nossa insignificância histórica e permita o distanciamento necessário para procurarmos soluções.
Quando vemos Nelson Mandela na televisão sem a força dos outros tempos, mas com aquele brilho especial no olhar. O que devemos pensar? Será que está triste por não nos conseguir ajudar mais? Ou será que nos quer dizer simplesmente. Agora é a vossa vez!
A grande maioria de nós parece estar acomodada à sua pequena redoma dourada.
Acredita que os outros problemas do mundo nunca os vão afectar, que a sua felicidade depende apenas de garantir o seu “status quo”.
O mundo parece demasiado simples para quem não tem objectivos ou ambições.
As histórias de Luís Portela, que desistiu da carreira para não deixar morrer a Bial, a obra da família, hoje liderando o maior laboratório farmacêutico do país e de Alexandre Soares dos Santos, entre felizmente, algumas outras, mostram a fibra que molda estas figuras.
São sobreviventes, são estóicos, são resistentes.
Nada pára a sua vontade.
Em tempos de crise contornaram as vicissitudes e seguiram com o seu trabalho, fiéis aos princípios e desejos.
Fizeram-no por necessidade? Por vaidade? Por sonho? Não interessa. Deixam obra feita e são um exemplo para as novas gerações.
Oxalá os saibam honrar.
Estes são verdadeiramente “os nossos governantes”, porque souberam gerir o seu dinheiro e criar riqueza para todos.
O que eles teriam feito, se tivessem gerido o nosso dinheiro.
Normalmente, só em tempo de crise os governos se preocupam com a gestão do País, principalmente em matéria de custos, receitas, dívidas externas, e défice.
Enquanto isso, continuamos a viver, muitos já a pão e água, outros na opulência.
Os que estão no meio (a maioria), desesperam pelo futuro.
Foram mais anos perdidos, o que será deste País que gasta sempre mais do que o que recebe?
Não foi para isto que aconteceu Abril.