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Editorial


Armindo Costa*

 

Editorial

 

 

O tempo não volta para trás

 

 

“Ó tempo volta para trás, traz-me tudo o que eu perdi, tem pena e dá-me a vida, a vida que eu já vivi, ó tempo volta para trás, mata as minhas esperanças vãs, vê que até o próprio sol volta todas as manhãs.”

Plagiando a máxima de Juvenal questionamos....Uma mente sã num corpo são, ou um corpo são para se ter uma mente sã?

Os gregos  disseram: Uma mente sã precisa de um corpo são. Os orientais dizem que o corpo será são sendo a mente sã....

Nada como estar de bem com a vida para que a gente se sinta saudável e disposta.

Obviamente que, sem saúde, ninguém consegue viver em paz, mas quanto mais pensamos no stress e nas ansiedades do quotidiano, mais nos convencemos  de que quase todas as doenças têm origem emocional.

Cada um de nós tem a sua panca, a sua maneira de ser, a sua tara ou mania, a capacidade de chatear, de intervir para ter notoriedade a qualquer custo, de estar sempre no contra, na política do bota-abaixo, enfim uma rapsódia de comportamentos.

Gente pobre de espírito que usa gravata ou jeans de marca.

Muitas das vezes, dizemos que não temos tempo, que nos esquecemos.

Mas temos tempo para o fútil, para a capacidade de destruir o que quer que seja, para enervar os outros.

Temos tempo para tudo, menos para o que deve importar na vida partilhada com os outros.

O segredo é colocar o tempo a correr a nosso favor. Em vez de “arranjar tempo”, o que é preciso é deixar que o próprio tempo se arranje.

Para subverter a ditadura das horas, é preciso voltar a tirar prazer do tempo.

Como alguém escreveu, a lentidão pode ser insuportável e a pressa pode ser deliciosa.

Em súmula, aproveitar e não desperdiçar o tempo.

Contribuir para unir e não desunir.

 Não contemplo, com a ingratidão, com a indiferença, a querela e a mesquinhez daqueles que encontram problemas em tudo e transformam pequenos desentendimentos, de mal entendidos, num fraccionamento radical, às vezes rompendo com o passado.

Na relação humana, encontramos de tudo.

Separamos por vezes, mal, o trigo do joio, mas separamos, fizemos a destrinça.

Não se pode pactuar eternamente.

Por vezes, os pacientes tem limites temporais.

A paciência, longe de ser uma apatia, é uma insolência e uma rebeldia.

É uma desculpa para deixar passar o tempo, estar á espera que ele passe, sem fazer nada.

O minuto mais importante das nossas vidas deve ser aquele em que construímos.

Temos uma vida ocupada, ás vezes não damos valor às pequenas coisas.

Se o dia tivesse mais horas, agradecíamos.

Mas em relação á nossa vida, tudo tem um fim, devemos estar conscientes da realidade.

Por isso não desperdicemos o tempo que nos é dado.

Queremos controlar tudo, o tempo e a privacidade.

Invariavelmente são as pessoas que querem ser controladas e não o Estado que quer controlar as pessoas

O cidadão está disposto a abdicar do direito à privacidade

Em oito anos, foram autorizados em Portugal pelo menos 12 mil pedidos de videovigilância, mas muitas outras câmaras estão em situação ilegal. A ideia de segurança parece ter suplantado o direito à privacidade.

Também através do Multibanco é possível determinar a hora e o local onde se esteve, bem como se consegue obter a localização exacta do utilizador de um telemóvel. Em breve, também os automóveis vão estar na mira das autoridades através dos chips que o Governo quer obrigar a instalar nas matrículas.

Mas estes elementos também podem cair em mãos erradas:as câmaras, os chips e as incursões nas bases de dados atrofiam a nossa margem de liberdade. Nada garante que estas informações não possam vir a ser utilizadas algum dia, por alguém, contra os nossos interesses e a nossa privacidade.

Vivemos num mundo imperfeito, num mundo global onde tudo vale.

Por isso nenhum de nós é perfeito e importa constatar que a vida é uma breve passagem terrena.

Damos demasiado valor à futilidade, destruindo valores que devem ser perenes.

Não somos perfeitos, como nada é perfeito.

Que bom seria, quando compramos uma viatura para, entre outros,  nos dar mais tempo, ela fosse uma viatura que só pudesse circular, com o cinto de segurança colocado, que não excedesse a velocidade permitida na lei e porque não, a sua circulação fosse viável, após o teste de alcoolemia. 

Como em tudo na vida, nada é perfeito e como diz o povo, Cristo que foi Cristo também não era perfeito.

Criamos incontáveis coisas na imperfeição, para que outros possam delas tirar proveito.

Então, façamos um exame de consciência, permanente que nos leve a meditar, onde procedemos mal, o que com a nossa conduta magoamos alguém, e saibamos cumprimentar o nosso semelhante pelas coisas boas que ele vai fazendo e o desculpemos por algo de menos bom.

Somos seres humanos, erróneos por natureza, mas saibamos ocupar o precioso tempo, incentivando-nos e incentivando os outros.

A nossa auto-estima irá ser outra.


Afinal, o dia só tem 24 horas e só um belo dia, de sol ou de chuva é provido de perfeição.

 

* O Director

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